Na próxima quarta, 9 de abril, ocontece a noite de autógrafos de três volumes da Coleção Aplauso, da Imprensa Oficial de SP, com as biografias dos atores Lília Cabral, Denise Del Vecchio e Marcos Caruso. A coleção, coordenada pelo crítico Rubens Ewald Filho, aborda a produção brasileira nas artes cênicas, sejam perfis ou roteiros, e tem livros escritos por jornalistas, com preços populares.
Os títulos lançados agora são de autoria de Analu Ribeiro, Tuna Dwek e Eliana Rocha. Às 20h, na
livraria Argumento do Leblon (rua Dias Ferreira, 417). Informações no Escritório de Comunicação Lu Fernandes, tel. 11-3814-4600.
Sexta-feira, 4 de Abril de 2008
Coleção Aplauso
Última edição do Boletim do Releituras
LIVROS
—Machado de Assis
"Toda poesia de Machado de Assis", Ed. Record.
Organização de Cláudio Murilo Leal.
— José Mindlin"
Reinações de José Mindlin — por ele mesmo", Ed. Ática. ~
— Vários
"Histórias para ler sem pressa", Ed. Globo
Organização e tradução de Mamede Mustafá Jarouche.
Ilustrações de Andrés Sandoval.
— Adriana Armony"
Judite no país do futuro", Ed. Record.
— Chen Guidi e Wu Chuntao"
O segredo chinês
— Milagre econômico e vida rural na China de hoje", Ed. Record.
Tradução de Hermano Freitas.
— Roberto Piva
"Estranhos sinais de Saturno", Ed. Globo.
Organização de Alcir Pécora.
— Vários
"Cartas a Legba, um texto encontrado", Boitempo Ed.
Organização de Susan Willis
Tradução de Maria Elisa Cevasco e Maria Leonor F. R. Loureiro
.— Susan Willis
"Evidências do real, os Estados Unidos pós-11 de Setembro ", Boitempo Ed.
Tradução de Marcos Fabris e Marcos Soares.
— Lídia Jorge
"O vento assobiando nas gruas", Ed. Record.
REVISTAS
— Confraria do Vento nº 19 — O número referente a março/abril 2008 tem contos de Luiz Vilela, Milton Hatoum e Marçal Aquino; poema de Arnaldo Antunes, colunas de Márcio-André, Cláudia Roquette-Pinto, e Guilherme Zarvos. Visite www.confrariadovento.com.
— Modo de Usar & Co. nº 01 — Algo de novo e interessante nos é apresentado nessa revista: poesia escrita, sonora e visual. Editada por Angélica Freitas, Fabiano Calixto, Marília Garcia e Ricardo Domeneck, a revista apresenta poemas de John Cage, Benjamín Prado, Marcelo Montenegro, Verônica Stigger, Carlito Azevedo e muitos outros mais. Pode ser encontrada na Livraria Da Vila (S.Paulo), Livraria Scriptum (B.Horizonte), Livraria Berinjela (Centro-Rio de Janeiro). Visite em www.revistamododeusar.blogspot.com/
NOTÍCIAS
Hoje, 01/04, tem início o 2º Festival Literário Nacional de Poços de Caldas e a 3ª Feira Nacional do Livro de Poços de Caldas (MG). Até 06/04, compareça e participe de palestras sobre educação, poesia, sexualidade, drogas e ainda oficinas, workshops com grandes nomes da Literatura Brasileira. Os eventos contam com o apoio da CBL - Câmara Brasileira do Livro. Mais informações em www.feiradolivropocosdecaldas.com.br.
A poetisa chilena Carmen Berenguer ganhou o Prêmio Ibero-americano Pablo Neruda de Literatura, promovido pelo governo do Chile em parceria com a Fundação Pablo Neruda. Carmen nasceu em 1946 e começou sua carreira em 1983, com o livro "Bobby Sands desfallece en el muro" ("Bobby Sandas morre no muro" ndr). "Huellas del siglo", de 1986, "A media hasta", de 1988, "La gran hablada", de 2002 e ¿mama Marx¿ de 2007 são alguns de seus títulos publicados. O prêmio foi anunciado durante uma conferência no Museu La Chascona, casa onde Neruda viveu em Santiago com sua terceira mulher, Matilde Urrutia, criadora da fundação que leva o nome do autor. Esta foi a quinta edição do prêmio, que confere uma gratificação de US$ 30 mil ao ganhador. O mexicano José Emilio Pacheco foi o primeiro vencedor, em 2004, o argentino Juan Gelman venceu em 2005, o peruano Carlos Gastón Belli em 2006 e a cubana Fina García Marruz em 2007.
Até 15/05, estão abertas as inscrições para o Prêmio Jabuti, em sua 50ª edição. Informações em www.premiojabuti.org.br Dia 04/04, estréia em São Paulo (SP) "Parem de falar mal da rotina", mega-sucesso de Elisa Lucinda. A temporada, que será levada até 26/06 no Teatro Imprensa, rua Jaceguai, 400 — Bela Vista, já foi assistida por mais de 500.000 expectadores. Informações pelo telefone (11) 3241-4203.
A empresa editorial portuguesa Leya lança um prêmio que dará €100.000 ao melhor romance inédito em português. O júri poderá também recomendar a atribuição de um ou mais prêmios para finalistas no valor de €25 mil para cada obra. Os romances agraciados serão também publicados por uma das editoras do grupo e vão ser distribuídos simultaneamente em todos os países que adotam oficialmente a língua portuguesa. Podem concorrer ao prêmio autores de qualquer nacionalidade. O prazo máximo para o envio dos originais é 15 de junho de 2008. O vencedor do prêmio será anunciado na Feira do Livro de Frankfurt, em outubro deste ano. O regulamento pode ser acessado em www.leya.com
Terça-feira, 1 de Abril de 2008
Lançamentos sobre as artes plásticas
Chegaram nesta terça-feira às livrarias três lançamentos sobre as artes plásticas contemporâneas: o "Manual da Ciência Popular", de Waltércio Caldas; e os catálogos "Célia Euvaldo" e "Rodrigo Andrade". O primeiro é uma edição revista e ampliada de trabalho publicado pela primeira vez em 1982 pela Coleção de Arte Brasileira Contemporânea, da editora Funarte. O livro traz textos, pinturas e fotografias do artista construtivista Waltércio Caldas. Já "Célia Euvaldo" e "Rodrigo Andrade" são catálogos de obras dos artistas que dão nome aos livros.
"MANUAL DA CIÊNCIA POPULAR"
Editora Cosac Naify - 88 páginas
Preço: R$ 299
"CÉLIA EUVALDO"
Editora Cosac Naify - 192 páginas
Preço: R$ 111
"RODRIGO ANDRADE"
Editora Cosac Naify - 224 páginas
Preço: R$ 80
Nova versão do Biblivre
A versão 2.0 do software Biblivre, que permite acesso livre e gratuito a bibliotecas do mundo inteiro, será apresentada no dia 3 de abril na Biblioteca Nacional.Entre as novidades estão o módulo digital, que disponibiliza para leitura e impressão livros de domínio público, o módulo para autores e editoras, formulários especializados e o uso de várias bases na pesquisa do acervo. Como se trata de um programa de código aberto, o sistema pode ser livremente adaptado para diferentes bibliotecas. Para conhecer o Biblivre, também conhecido como Biblioteca Livre, clique aqui.
Rádio divulga poesias em mp3
O programa de Ubiratan Sousa, Olhar diferente, divulga poesias gravadas em mp3. O programa tem duração de 4hs, na Rádio Phoenix FM.
Segunda-feira, 31 de Março de 2008
O livro no jornal
Para quem ainda não leu, fica aqui a dica: "O livro no jornal: os suplementos literários dos jornais franceses e brasileiros nos anos 90", de Isabel Travancas.
Sábado, 29 de Março de 2008
Literatura hispano-americana
Neste sábado, o Caderno Idéias & Livros, do Jornal do Brasil, publica matéria sobre literatura hispano-americana, assinada pela jornalista Juliana Krapp. Leia abaixo a matéria. Em azul apenas uma informação extra.
Com fôlego para derrubar o muro de Tordesilhas?
Vanguarda latino-americana se prepara para atravessar a fronteira (Atenção, pois nós também somos latino-americanos. O ideal, aqui, seria manter a expressão "hispano-americanos").
Há algum tempo, César Aira era apontado na Argentina, de forma irônica, como o "segredo mais bem guardado" da literatura daquele país. Pilhérias à parte, o argentino está longe de ser um enigma em sua terra natal, onde é reconhecido como um dos maiores expoentes da atualidade. Já no Brasil, sua obra continua a ser uma espécie de segredo: de seus mais de 30 livros, entre ensaio e ficção, apenas quatro estão traduzidos entre nós (A trombeta de vime , Um acontecimento na vida do pintor-viajante e As noites de flores pela Nova Fronteira. Também lançou recentemente no Brasil “Pequeno Manual de Procedimentos”, pela Arte & Letra Editora - críticas sobre literatura, culturais, teorias literárias e política, principalmente dos anos 90 para cá).
O caso de Aira, no entanto, revela somente uma fatia microscópica do quanto a literatura latina de língua espanhola nos chega em migalhas. Mesmo com o aumento considerável de autores publicados por aqui, nos últimos três anos, ainda são escassas as edições de jovens escritores. E mesmo clássicos do século passado permanecem obscuros no Brasil.
– Preservamos a tradição de direcionar o olhar para a Europa e para os EUA. Com isso, perdemos o diálogo com países que têm muito mais a ver conosco – afirma Idelber Avelar, professor de literatura na Universidade de Tulane, em Nova Orleans.
Desconhecidos ilustres
Além do diálogo, perdemos, também, a leitura de romances essenciais na história recente de nossos hermanos.
– É o caso de Museu do romance da eterna, de Macedonio Fernández, obra fundadora para as vanguardas atuais – ilustra Avelar.
No esforço por recuperar tal déficit literário, tem se destacado o trabalho da Amauta Editorial, de São Paulo. Editora de tamanho micro, criada há quatro anos com o objetivo de romper com o "muro de Tordesilhas que separa as línguas portuguesa e espanhola apesar da proximidade cultural e geográfica", a empresa possui o mérito de lançar entre nós nomes como Sergio Chefjec e Martín Kohan, dois representantes exemplares da literatura argentina contemporânea. Kohan, inclusive, ganhou recentemente o prêmio Herralde.
– As editoras pequenas são menos burocráticas e, mesmo que de forma artesanal, conseguem lançar autores novos, que não tenham necessariamente apelo comercial – justifica Marcelo Barbão, um dos sócios da editora.
Pena que as tiragens da Amauta sejam pequenas – 500 livros por edição – e as traduções, poucas – duas ou três por ano. Enquanto outras pequenas raramente se aventuram na publicação de hermanos, resta nos contentarmos com o tal boom de publicações das grandes editoras, focalizado em nomes que já caíram nas graças do público brasileiro, como Ricardo Piglia ou Manuel Puig. Afinal, uma coisa é certa:
– Não tenho dúvidas de que as grandes editoras estão extremamente atentas à literatura hispano-americana – afirma Avelar.
– Talvez a quantidade de traduções não seja maior porque elas esperam, ainda, a criação de um público, isso a que chamam estouro.
Avelar acrescenta que autores como César Aira possuem um estilo pouco palatável ao leitor médio brasileiro. Seu texto apresentaria tons de nonsense que dependem da criação de um público específico, habituado à originalidade de sua obra, justifica o especialista.
Júlio Pimentel Pinto, professor no departamento de história da USP, é otimista quanto ao desenvolvimento desse público leitor:
– Apesar de um período de moda nos anos 1960, o leitor brasileiro nunca olhou com atenção para a produção literária vizinha. Mas há uma tendência de crescimento nos catálogos que, mais cedo ou mais tarde, fará com que os leitores percebam que a literatura hispano-americana não se restringe aos autores já reconhecidos, como Cortázar ou Vargas Llosa.
A questão é que a lista de escritores hispano-americanos imperdíveis, porém inéditos (ou quase) no Brasil, continua infinita. Talvez pudéssemos começá-la assim: Gustavo Ferreyra, Juan José Becerra, Tununa Mercado, Rodolfo Walsh, Eloy Urroz, Mariano Azuela, Severo Sarduy, Fábian Casas. Esses foram apenas alguns dos nomes que ouvimos durante esta apuração.
Tantas ausências, no entanto, contrastam com o sucesso de certas traduções recentes. Basta lembrar O passado, de Alan Pauls, que teve sua primeira edição, de 3 mil exemplares, esgotada em um mês – e isso antes de estrear entre nós o filme homônimo, de Hector Babenco. Fenômeno parecido ocorre com o chileno Roberto Bolaño, que passou de cult a pop num piscar de olhos. Sinal de que está se formando de fato um público mais atento ao estilo de nossos vizinhos escribas? Talvez. A questão aqui é: será que há fôlego para enfim romper com o muro de Tordesilhas?
– Temos, de um lado, um problema, que é: o sucesso diluiu e banalizou o realismo mágico, criando um público leitor que se viciou em narrativas cheias de eventos fabulosos, espíritos brotando das sombras e gente explodindo – ataca Pimentel.
– Além disso, as editoras se arriscam pouco, com notáveis exceções, e preferem se concentrar em autores já consagrados.
O que é uma pena. Pois autores como Kohan e Chejfec teriam muito a acrescentar aos seus contemporâneos tupiniquins. Avelar ressalta que Kohan é um dos poucos autores latino-americanos a falar de futebol – este tema tão brasileiro – de uma forma inteligente. E o livro de Chejfec também reúne méritos:
– Boca de lobo (o romance publicado pela Amauta) faz, de forma não consciente, um contraponto ao imaginário urbano que a literatura brasileira contemporânea tem criado. Porque no Brasil estamos muito atrelados a uma estética da neo-violência, a um hiper-realismo agressivo no retrato da cidade. Já Chejfec faz um registro sutil, oblíquo, que tem um efeito mais poderoso a longo prazo.
O curioso é que, para escrever o romance, o autor não se inspirou em seus compatriotas:
– A hora da estrela, de Clarice Lispector, foi meu ponto de partida para criar Boca de lobo – conta.
– Mas não aconteceu de forma instantânea. Apenas muitos anos depois de conhecer o livro pude resgatar dele a moral literária de construção do herói, este que se esconde também em meu texto. A hora da estrela é um milagre. E não existem muitos na literatura.
O Brasil não alimenta apenas de livros a criatividade de Chejfec. Sua nova novela, na qual trabalha no momento, passa-se em Porto Alegre. Mais uma prova de quanto o muro de Tordesilhas, em determinados casos, é inócuo.